Dica de filme: O Novíssimo testamento

9 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

Deus existe! Ele mora em Bruxelas com a sua filha. Mas a relação entre os dois é tão complicada que a filha decide se vingar do pai, roubando o computador divino e revelando a todos os humanos a data de sua morte. Para conter a crise, Deus volta a viver normalmente entre os homens, descobrindo o verdadeiro caos que é a Terra nos dias de hoje.

Uivo (dedicado ao Carl Solomon), de Allen Ginsberg

9 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

um trecho do poema

matéria jornalística sobre o poema

Amor e existência

8 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

“Aquele que quer ser amado, deve querer a liberdade do outro, porque dela emerge o amor; se o submete e o domina, se torna objeto, e de um objeto não posso receber amor.”

– Jean Paul Sartre

 

“Não ser amado é apenas uma desventura. A verdadeira desgraça é não saber amar.”

– Albert Camus

Recomendação de leitura – Hollywood, de Charles Bukowski

2 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

Se você gosta de literatura nua e crua, sem rodeios, mas com profundidade, com certeza vai gostar de Bukowski. Segue abaixo dois trechos desse livro chamado Hollywood, que conta a história de um escritor beberrão que é chamado para escrever o roteiro de um filme para Hollywood.

“Entramos dirigindo devagar no gueto de Venice. Não era verdade que só tivesse negros. Havia alguns latinos nos arredores. Notei um grupo de sete ou oito mexicanos em volta, encostados num carro velho. Quase todos usavam camiseta ou estavam nus da cintura para cima. Passei dirigindo devagar, sem encarar ninguém, só absorvendo. Eles não pareciam fazer muita coisa. Só esperavam. Prontos e à espera. Na verdade, provavelmente estavam apenas entediados. Pareciam caras legais. E não pareciam lá muito preocupados.
Aí chegamos à turfa negra. De repente, ruas cheias de lixo: um pé esquerdo de sapato, uma camisa laranja, uma bolsa velha… uma romã poder… outro pé esquerdo de sapato… um blue jeans… um pneu…
Eu tinha de dirigir por entre aquelas coisas. Dois negros de uns onze anos nos fitavam de suas bicicletas. Ódio puro, perfeito. Eu sentia. Os negros pobres tinham ódio. Os pobres brancos tinham ódio. Só quando ganhavam dinheiro negros e brancos se integravam. Alguns brancos amavam os negros. Muitos poucos negros amavam os brancos, se é que algum amava. Ainda estavam indo à forra. Talvez nunca fossem. Numa sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é preciso haver mais perdedores que vencedores. Que pensava eu? Sabia que a política jamais resolveria isso, e não sobrava muito tempo para entrar numa boa.”

“O roteiro ia bem. Escrever nunca foi trabalho para mim. Sempre fora assim, desde quando me lembrava: ligar o rádio numa estação de música clássica, acender um cigarro ou charuto, abrir a garrafa. A máquina fazia o resto. Eu só precisava estar ali. Todo o processo me permitia seguir em frente quando a vida oferecia tão pouco, quando a própria vida era um espetáculo de horror. Sempre havia a máquina para me acalmar, conversar comigo, me entreter, salvar meu rabo. Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar o meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo.
Uma de minhas mulheres passadas gritara pra mim:
– Você bebe pra fugir da realidade!
– É claro, minha cara – eu lhe respondera.
Usava a garrafa e a máquina. Gostava de ter um pássaro em cada mão, ao diabo com o mato.”

Foucault — de pensador à militante

28 de julho de 2016 § Deixe um comentário

Para Foucault, pensar é essencial para a prática da emancipação, com isso Foucault recusa a ideia de “luta pela luta” tão aclamada pelos militantes de sua época. É preciso pensar, e pensar é importante. Ao mesmo tempo, o risco de pensar é fechar-se em si mesmo, tornar-se objeto de seu próprio jogo, uma estética vazia, satisfeita em seus conceitos. Daí a importância de sempre ir às ruas para Foucault. Embora o próprio fosse contra às acepções dogmáticas dos militantes.

Cara a cara

27 de julho de 2016 § Deixe um comentário

sabe aquele beijo que nunca te dei?
às vezes acho que ele pode acontecer a qualquer momento
quando estivermos cara a cara
pois uma coisa que aprendi com a vida,
é que o que importa é feito cara a cara

tanto nas promessas de amor
quanto nas ameaças de morte
o que importa é o cara a cara
no telefone ou na internet
tudo é líquido e desmancha no ar

no cara a cara
todo falastrão cai em contradição
todo falso amor se revela num sorriso amarelo
até o bom dia é diferente
mais contundente
pode mudar a sua vida

mas
no cara a cara
quem não cai na tentação de ficar quieto?
de passar reto?

mas sabe aquele beijo que nunca te dei?
às vezes acho que ele pode acontecer a qualquer momento
quando estivermos cara a cara
olho no olho
boca a boca

VERMES, MEDUSAS E MACHADOS

27 de julho de 2016 § Deixe um comentário

as crianças não abrem a boca
mas não é pra não entrar moscas, não
é por medo dos vermes

quando Machado dedicou aquelas memórias póstumas a um verme
não imaginava que eles cresceriam tanto
que desenvolveriam pernas e braços
que usariam armas, armaduras e bombas
que roeriam as frias entranhas da nossa república
que morreu no parto

capitão, meu capitão Machado
eles mataram negros como você
como quem rói suas entranhas
e hoje, ninguém consegue parar esses vermes

eles roem tudo que veem pela frente
democracia, educação, direitos humanos
Liberté, Egalité, Fraternité
tudo roído, Machado

restam apenas migalhas de liberdade
que são devoradas por um pensamento fascista
tudo na sombra de um discurso de ódio
onde racismo passa em branco

quantos Nascimentos, Silvas e Assis
assim morreram, Machado?
com a entranha roída
e a boca cheia de formiga
a bala tinha endereço
mas os jornais dizem que estava perdida
mais um caso isolado
dentre tantos, Machado

há séculos que o sangre negro corre nas ruas
nas biqueiras, todo moleque tem um pouco de Medusa
mas os vermes não viram pedra
roubam a brisa
forjam flagrantes
somem na fumaça
e se olhar no olho
aqui não tem Perseu pra te salvar

o verme arrasta
do doido de pedra à Mãe de Maio
do pai, do filho, do espírito, do pranto
do arrasto só resta o direito de permanecer calado
ouvindo os vermes que rasgam a noite
esperando um novo dia
na certeza de um novo açoite
Luiz HP Nascimento
16/07/2016

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.731 outros seguidores