Expressões Anarquistas 2016

30 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

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EXPRESSÕES ANARQUISTAS
Ocorrem geralmente em Outubro, é um evento anual anarquista que pretende promover a união do Movimento Anarquista e troca de experiências anarquistas no interior de São Paulo.Estamos na 15ª Edição e ocorrerá em Piracicaba, no estado de São Paulo, nos dias 08 e 09 de Outubro.

Estejam convidadxs! Comuniquem a participação para prepararmos alojamento e alimentação! Contato: exprana@riseup.net

Origens e Desenvolvimento do Expressões Anarquistas

O evento foi idealizado pelos grupos Grupo Independente de Estudos Políticos e Sociais (GIEPS) e Coletivo Revolucionário de Ação Popular (CRAP) em Araraquara em 2002, mas não era anarquista, chamava-se Encontro da Juventude Rebelde, que pretendia reunir várias experiências de luta da esquerda e apresentá-las a sociedade focando no público jovem.

Ocorreram 3 edições, todas realizadas em Araraquara, espaços públicos reservados e divulgados em jornais locais. A presença de um público plural foi marcante, assim como as palestras apresentadas.

Em 2005, após conversas sobre o evento e a necessidade de um enfoque mais libertário que promovesse a reflexão e que levasse a troca de vivências em torno do anarquismo, que foi identificado com a proposta que se mantinha dentro de uma coerência na luta pela emancipação social, econômica e politica da humanidade. Tudo isso levado em conta surge o conceito de Expressões Anarquistas na intenção de trazer as diversas manifestações e ações que ocorrem dentro da grande bandeira negra do anarquismo, para o interior de São Paulo. Havia um entendimento de que enquanto a capital havia diversos grupos e muitas atividades anarquistas, no interior paulista a situação era diferente, poucos grupos e poucas atividades e esse seria um dos objetivos do realização do Expressões Anarquistas, fazer o anarquismo florescer intensamente no interior paulista.

O IV Expressões Anarquistas – variações do mesmo tema (2005) em Araraquara, foi um marco importante, porque não só tivemos as tradicionais conversas libertárias onde uma pessoa transmite uma experiência sobre um determinado assunto estando os presentes livres em intervir em qualquer momento, como ocorreu também atividade aberta na forma de uma manifestação de rua, com faixas, bandeiras e carro de som, onde denunciávamos a farsa da política burguesa que naquele momento estava marcado pelos escândalos do PT e seus aliados no chamado “Mensalão” e que está em julgamento atualmente (havia cartazes com os escritos “Xô CorruPTos!”). Foi redigido um documento público, Carta de Araraquara nesse evento. (presente nessa edição para apreciação!)

Isso trouxe uma nova perspectiva para o evento, indo do convencional palestras e debates para a propaganda pela ação. Os assuntos abordados foram Voto Nulo, Recordando o I Congresso Operário Brasileiro e a Revolução Espanhola, Movimento Anarquista atual, Anarquistas na Revolução Russa.

O V Expressões Anarquistas – educação e autogestão (2006) foi em Santo André, inaugurando outra ideia, da realização do evento em outras cidades para que as vivências anarquistas sejam trocadas e espalhadas.

A Casa Lagartixa Preta Malagueña Salerosa (espaço mantido pelo Ativismo ABC) recebeu o evento, que contou com materiais de diversos grupos e falas sobre Pedagogia Libertária, Vegetarianismo, vegan e freeganismo, Autogestão, Esperanto.

VI Expressões Anarquistas – autogestão e socialismo libertário (2007) foi em Campinas e contou muita gente e grupos que contribuíram muito para uma revitalização do anarquismo em Campinas, com o surgimento posterior de um grupo antifascista, a Coordenação Antifascista de Campinas, para o enfrentamento do problema real da violência de grupos e indivíduos totalitários de direita e esquerda. As conversas foram sobre os 90 anos da Greve de 1917 e o Anarcossindicalismo, Softs Livres, Pagos e Piratas, Educação Libertária, Sobre o conceito da dádiva, Markenting e Propaganda Anarquista, Experiências na Chechênia. Houve alimentação coletiva no local, o que estreitou muitas amizades.

Em 2008, a organização coletiva do Expressões teve contratempos que fizerem com que o VII Expressões Anarquistas ocorresse em Dezembro, em apenas um dia, em Campinas. Tendo como tema “conheça, organiza e luta”, trouxe a homenagem a Edgar Rodrigues que dedicou sua vida pela memória operária. Nele foi lançado o Arquivo Bem Estar e Liberdade, de iniciativa do Sindivários Campinas, que conta com materiais digitalizados e documentos guardados importantes para a memória de luta de nosso movimento. Também conversamos sobre o Movimento Libertário Brasileiro e suas características. Tivemos a presença de companheiro da CNT espanhola que contribui com sua vivência anarcossindical.

O VIII Expressões Anarquistas – promessa de rebeldia (2009) foi realizado em Piracicaba, através de militantes que depois formariam o Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região (CAPRE).

Reuniu muita gente e houve distribuição de materiais, uma amostra de todos os livros de Edgar Rodrigues e a entrega em pré- lançamento de um livro sobre o Edgar Rodrigues da professora doutora Anna Gicelle, a noite ocorreu um sarau regado a violão e muitas poesias. O rango vegano foi realizado de forma coletiva e foi uma experiência empolgante. Nesse Expressões tivemos oficinas sobre plantas comestíveis, bionergética corporal. As conversas foram sobre o Feminismo, Anarcossindicalismo, MLB.

Em 2010, foi o IX Expressões Anarquistas – em memória de Ferrer e da escola moderna. Foi em São Paulo, após uma troca de ideias com outro evento anarquista tradicional na capital, a Jornada Libertária de Protesto (JLP), houve a troca de lugares, ficando que ocorresse JLP em Piracicaba e o IX Expressões Anarquistas em São Paulo em Santo Amaro (sede da Corrente Libertadora), Com a presença de bastante gente, companheirxs do Rio Grande do Sul (FORGS-COB-AIT) e da Africa do Sul (Zabalaza Anarchist Communist Front). Nele, com a mesma dinâmica dos Expressões anteriores, conversamos, debatemos, dialogamos sobre a Educação Moderna de Ferrer, Esperanto, Anarcossindicalismo, Sobre a confecção de Bombas de Semente (técnica para plantio em terrenos abandonados ou áreas inacessíveis, chamando atenção a causa ecológica e reestruturação dos meios de produção em busca de equilíbrio com a natureza. Como aconteceu segundo turno, também discutimos sobre a importância do Voto Nulo e de Não Votar, construindo nossa organização sem partidos, sem políticos, sem patrões, sem Estado. Foi parcialmente gravado, garantindo o arquivo digital desse evento para a memória de nosso movimento.

Foi realizado novamente em São Paulo, no Centro de Cultura Social (CCS-SP), nos dias 15 e 16 de Outubro 2011. Choveu muito, mas não impediu de termos mais uma realização bem sucedida do evento. Em paralelo tivemos o inicio das Acampadas 15 de Outubro (baseada nas manifestações da Primavera Árabe, das Acampadas na Espanha e do Occupy Wall Street), da qual parte do participantes do Expressões também prestigiaram. O X Expressões foi inteiramente gravado e tivemos acalorados debates sobre Anarquismo e Direito. Outros temas abordados foram Linux, Esperanto e Anarquia; Discussão sobre Gênero; Anarcossindicalismo. Houve exibição do filme “Agora” baseado no incêndio da Biblioteca de Alexandria pelos cristãos e da filosofa Hepatia que assassinada também pelos cristãos.

Em 2012, foi realizado em Campinas, na Moradia Estudantil, o XI Expressões Anarquistas. Nele houve a participação de mais de 40 pessoas, e as conversas libertárias abordaram diversos assuntos como o impacto dos mega-eventos nas cidades (copa e olimpíadas), o feminismo e anarquismo, educação e anarquismo, o veganismo. Além disso, ocorreu uma confraternização entre os participantes, e a alimentação vegetariana feita de forma coletiva.

Esse é um resumo do evento que a cada ano contou com militantes de diversos lugares, não só de São Paulo, mas de todo o Brasil e até de fora. Em todos esses anos, sempre lembramos que é muito importante que nos organizemos em prol do desenvolvimento do anarquismo, através das mais variadas práticas, mas todas com os mesmos princípios anarquistas e pela construção do comunismo libertário através dessas práticas anarquistas.

Nos dias 12 e 13 de Outubro 2013, o XII Expressões Anarquistas (12ª edição), foi em Ribeirão Preto/SP, no Memorial da Classe Operária, nº 59, organizado pela iniciativa do grupo Viver Utopia. Com a a exposição, fala, expressão de todxs e com muita gente, foi intenso para todas as pessoas presentes. Lá houve intensas conversas e muita interação entre as pessoas, o rango de forma coletiva vegetariano é sempre uma vivência prática da possibilidade de vida autogestionária.

Em Araraquara, nos dias 04 e 05 de Outubro de 2014, aconteceu o XIII Expressões Anarquistas. Nos unimos e trocamos idéias sobre o anarquismo e suas vária formas de ação, com a participação principalmente de pessoas da região. Realizado no espaço cultural da Unesp houve espaço para as crianças, que realizaram uma galeria de arte que reuniu artes até das pessoas adultas presentes. Foi um retorno as origens do Expressões Anarquistas.

2015, o XIV Expressões será em Campinas novamente. Será um evento especial, porque a união anarquista Fenikso Nigra completa 10 anos de existência, na região de Campinas. Propomos apresentar a trajetória de nossa união, cheia de altos e baixos. O anarquismo no Brasil, que é onde estamos, não conta com um histórico de continuidade muito grande, e a maioria das associações anarquistas não possuem mais do que 20 anos de existência. Então é muito importante cultivarmos, através de uma prática coerente com a proposta anarquisa de emancipação geral, ainda revolucionária e muito atual.

Como sempre contamos com a presença de todxs para construirmos mais um importante momento pelo anarquismo no interior de São Paulo, conhecendo as diversas expressões do anarquismo e buscar de forma a interliga-las pela luta de emancipação de nossa gente.

Saúde e anarquia a todxs!

Minha vida é pender entre Bukowski e Bakunin

30 de agosto de 2016 § 1 comentário

Um revolucionário anarquista e um velho safado que sabe dos problemas, mas como ele mesmo diz, só quer salvar seu rabo branco. É incrível, mesmo distantes, podem possuir similaridades incríveis. E mais, podemos reconhecer um pouco deles dentro de nós, de uma mesma pessoa que não é nenhum deles. Veja a frase abaixo, quem você acha que escreveu? Bukowski ou Bakunin?

“Numa sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é preciso haver mais perdedores que vencedores. Que pensava eu? Sabia que a política jamais resolveria isso…”

Dica de filme: O Novíssimo testamento

9 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

Deus existe! Ele mora em Bruxelas com a sua filha. Mas a relação entre os dois é tão complicada que a filha decide se vingar do pai, roubando o computador divino e revelando a todos os humanos a data de sua morte. Para conter a crise, Deus volta a viver normalmente entre os homens, descobrindo o verdadeiro caos que é a Terra nos dias de hoje.

Uivo (dedicado ao Carl Solomon), de Allen Ginsberg

9 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

um trecho do poema

matéria jornalística sobre o poema

Amor e existência

8 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

“Aquele que quer ser amado, deve querer a liberdade do outro, porque dela emerge o amor; se o submete e o domina, se torna objeto, e de um objeto não posso receber amor.”

– Jean Paul Sartre

 

“Não ser amado é apenas uma desventura. A verdadeira desgraça é não saber amar.”

– Albert Camus

Recomendação de leitura – Hollywood, de Charles Bukowski

2 de agosto de 2016 § Deixe um comentário

Se você gosta de literatura nua e crua, sem rodeios, mas com profundidade, com certeza vai gostar de Bukowski. Segue abaixo dois trechos desse livro chamado Hollywood, que conta a história de um escritor beberrão que é chamado para escrever o roteiro de um filme para Hollywood.

“Entramos dirigindo devagar no gueto de Venice. Não era verdade que só tivesse negros. Havia alguns latinos nos arredores. Notei um grupo de sete ou oito mexicanos em volta, encostados num carro velho. Quase todos usavam camiseta ou estavam nus da cintura para cima. Passei dirigindo devagar, sem encarar ninguém, só absorvendo. Eles não pareciam fazer muita coisa. Só esperavam. Prontos e à espera. Na verdade, provavelmente estavam apenas entediados. Pareciam caras legais. E não pareciam lá muito preocupados.
Aí chegamos à turfa negra. De repente, ruas cheias de lixo: um pé esquerdo de sapato, uma camisa laranja, uma bolsa velha… uma romã poder… outro pé esquerdo de sapato… um blue jeans… um pneu…
Eu tinha de dirigir por entre aquelas coisas. Dois negros de uns onze anos nos fitavam de suas bicicletas. Ódio puro, perfeito. Eu sentia. Os negros pobres tinham ódio. Os pobres brancos tinham ódio. Só quando ganhavam dinheiro negros e brancos se integravam. Alguns brancos amavam os negros. Muitos poucos negros amavam os brancos, se é que algum amava. Ainda estavam indo à forra. Talvez nunca fossem. Numa sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é preciso haver mais perdedores que vencedores. Que pensava eu? Sabia que a política jamais resolveria isso, e não sobrava muito tempo para entrar numa boa.”

“O roteiro ia bem. Escrever nunca foi trabalho para mim. Sempre fora assim, desde quando me lembrava: ligar o rádio numa estação de música clássica, acender um cigarro ou charuto, abrir a garrafa. A máquina fazia o resto. Eu só precisava estar ali. Todo o processo me permitia seguir em frente quando a vida oferecia tão pouco, quando a própria vida era um espetáculo de horror. Sempre havia a máquina para me acalmar, conversar comigo, me entreter, salvar meu rabo. Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar o meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo.
Uma de minhas mulheres passadas gritara pra mim:
– Você bebe pra fugir da realidade!
– É claro, minha cara – eu lhe respondera.
Usava a garrafa e a máquina. Gostava de ter um pássaro em cada mão, ao diabo com o mato.”

Foucault — de pensador à militante

28 de julho de 2016 § Deixe um comentário

Para Foucault, pensar é essencial para a prática da emancipação, com isso Foucault recusa a ideia de “luta pela luta” tão aclamada pelos militantes de sua época. É preciso pensar, e pensar é importante. Ao mesmo tempo, o risco de pensar é fechar-se em si mesmo, tornar-se objeto de seu próprio jogo, uma estética vazia, satisfeita em seus conceitos. Daí a importância de sempre ir às ruas para Foucault. Embora o próprio fosse contra às acepções dogmáticas dos militantes.